quarta-feira, 13 de abril de 2011

Rêlampago

Era uma madrugada chuvosa e eu dormia pacificamente, ou pelo menos acredito que assim era, pelo simples fato de não me recordar de algum sonho. Digo que isso é característica de um sono pacífico, pois somente nesse tipo de sono é que a mente consegue repousar. É como se deixássemos de existir por aquele breve intervalo de tempo, ainda que cedo ou tarde sejamos acometidos por algum apanhado de imagens coerentes ou não. O ponto é que eu estava descansando de fato, quando repentinamente acordei junto ao barulho de um trovão. Ai como aquilo me atingiu intensamente! É que fui lançado com extrema violência à existência repentina, como se aquele violento choque despertasse coisas adormecidas em minha mente. Não vou dizer que nunca havia passado por uma experiência daquela. Era extremamente natural que essas situações se repetissem durante meu sono. Mas é que havia tanto tempo eu não dava a devida importância a essas questões existenciais, que me vi sem escapatória alguma, a não ser resolvê-las naquele momento, ainda que de forma paliativa. 
"Existo" era a questão primordial a lidar. Como poderia sequer compreender o processo tão complicado de existir? Somado a isso, havia o fato de eu ser eu mesmo, imerso naquele lamaçal de solidão impossível de se sair. Eu estava encarcerado em uma prisão mental tremendamente fúnebre, pois naquele momento cogitei o fim de minha vida. Naquele exato momento, sujeitei-me às viscissitudes da matéria e coloquei-me como um ser passível de sofrer a morte. Lembrei-me instantaneamente de uma frase do livro "Mrs. Dalloway", da magnânima escritora Virginia Woolf: "É possível morrer". Não havia coisa alguma que eu pudesse fazer para fugir da espiral de sensações. Por isso, me entreguei completamente àqueles sentimentos que diziam respeito a tudo o que era, até levar minha própria mente à exaustão. E sob o pretexto de amenizar o cansaço, deixei que os pensamentos afundassem na escuridão das incertezas. 

4 comentários:

Anônimo disse...

realmente vc esta se superando... e sim o filme é muito bom, nos leva a pensa muito na existencia que parece passar a ser algo muito dependente... ai parei!

Anônimo disse...

As vezes eu me assusto com as suas questões 'internas', existenciais, etc... mas tenho que admitir que vc escreve muuuito bem! Parabéns viu!
Tb estou lendo sobre seu livro!
Ass: alguém que admira seu talento mas que prefere ficar no anonimato, hehe!

Anônimo disse...

Eu penso que existe em você algo de suicida ou algo que te leva ao abismo da incompreensão de si ao ponto de ficar pensando em como e quando a morte lhe chegará. Me-do

Thiago Souza disse...

Suicídio nunca foi uma de minhas intenções. Compreenda de uma vez por todas. Não é a morte o que me aflige. É a não-existência em si. Uma simples interpretação de meus textos é capaz de lhe mostrar o quanto sou contrário à ideia de não existir. Reflita