Não há nada que se compare à sensação de sentir o próprio corpo invadido pela melodia de uma música que nos toque a alma. É como se nossa mente ordenasse o nosso organismo a responder de forma prazerosa àquele êxtase psicológico, coisa que, convenhamos, nosso corpo só sabe fazer seguindo uma série de reações físicas e químicas. No entanto, essa manifestação física não é algo indesejado. Claro que não. Aliado ao torpor mental que se constrói em resposta a uma determinada canção, esse conjunto de reações nos lançam a um estado breve de satisfação e paz, do qual buscamos usufruir o máximo de sensações. E nesses momentos especiais (assim como em vários outros), sentimos aquele sopro de vida que nos impulsiona ao infinito e à eternidade; que nos impulsiona ao estado etéreo do ser!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Sensações, sentido e sentimentos
As
sensações familiares nunca deixaram de produzir em mim as misteriosas correntes
elétricas que percorrem todo o corpo e fazem levantarem-se os pelos. Dez anos
passados do dia fatídico e ainda não me recuperei do violento choque de realidade
que me atingiu como uma marreta no sistema límbico. Será possível que um dia me
recupere de tudo aquilo que compreendi com a inesperada torrente de pensamentos
e questionamentos inexplicáveis? Na verdade, essa pergunta não precisa ser
feita. A resposta é tão clara como o simples resultado de dois mais dois. Ainda
que me deparasse com as respostas para todas as aflições que me atormentam a
alma, minha mente inquieta nunca se daria por satisfeita com resoluções.
Verdade seja dita, não são as respostas que me socorreriam do estado contínuo e
aflitivo de ignorância primitiva do ser. Nenhum conhecimento mundano seria
capaz de trazer a luz para a escuridão permanente do que é e sempre será. O
confronto final, rumo à inexistência é simplesmente algo monstruoso de se
aceitar. Como seria diferente? Diante da única e constante experiência de
existir, há a possibilidade de se compreender o inevitável fim? Em meio ao
vislumbre apocalíptico da existência como um todo, não creio que, estando
atrelado ao planeta Terra, seria capaz de compreender a infinitude do universo
em contraste com a breve finitude da vida humana. É imprescindível acreditar na
fluidez da mente, no estado incorpóreo do espírito, capaz de projetar-se nas
mais longínquas e inacessíveis dimensões, de modo a sentir. A razão não é capaz
de proporcionar o que procuro. Em meio a tantas conjecturas, sentir é o único
caminho para se encontrar a resignação na ignorância. Talvez sentir seja o
único sentido de tudo. Talvez sentir seja a faísca responsável por afastar de
nós a insanidade, simplesmente para que nós sejamos, no mais completo sentido.
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