terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu

Eu, que me sentia tão inteiro, tão completo, tão auto-suficiente. Eu, que via na própria existência um motivo de tudo ser. Eu, que me considerava a prova viva de que tudo era o que era, simplesmente por eu ser. Eu, que via a morte como um absurdo completo, quando se tratava de mim. Eu, que carregava a individualidade como um brasão, esfregando-a nos olhos de quem quisesse ver. Eu, outrora tão cheio de mim, encantado pelo próprio brilho, ofuscado pela própria luz. Eu, que me fechei para mim, como um inseto qualquer em sua crisálida. Eu, que condenava o remédio da solidão. Eu, que estava me desintegrando. Eu, que afundava num abismo infinito, tateando por qualquer apoio. Eu, que me desmantelava diante da ignorância existencial. Eu, que sofria de eterna insatisfação. Eu, que tinha carência de respostas. Eu, que nunca aceitava as trivialidades como algo positivo. Eu, que permaneço assim, a observar tudo como se nunca houvesse pensado em coisa alguma. Eu, que me lanço para o longe e imploro pelo próximo. Eu, que não sei existir de outro jeito. Eu!

Um comentário:

Unknown disse...

"Eu, outrora tão cheio de mim, encantado pelo próprio brilho, ofuscado pela própria luz."
Belo Thi =]