quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sensações, sentido e sentimentos


As sensações familiares nunca deixaram de produzir em mim as misteriosas correntes elétricas que percorrem todo o corpo e fazem levantarem-se os pelos. Dez anos passados do dia fatídico e ainda não me recuperei do violento choque de realidade que me atingiu como uma marreta no sistema límbico. Será possível que um dia me recupere de tudo aquilo que compreendi com a inesperada torrente de pensamentos e questionamentos inexplicáveis? Na verdade, essa pergunta não precisa ser feita. A resposta é tão clara como o simples resultado de dois mais dois. Ainda que me deparasse com as respostas para todas as aflições que me atormentam a alma, minha mente inquieta nunca se daria por satisfeita com resoluções. Verdade seja dita, não são as respostas que me socorreriam do estado contínuo e aflitivo de ignorância primitiva do ser. Nenhum conhecimento mundano seria capaz de trazer a luz para a escuridão permanente do que é e sempre será. O confronto final, rumo à inexistência é simplesmente algo monstruoso de se aceitar. Como seria diferente? Diante da única e constante experiência de existir, há a possibilidade de se compreender o inevitável fim? Em meio ao vislumbre apocalíptico da existência como um todo, não creio que, estando atrelado ao planeta Terra, seria capaz de compreender a infinitude do universo em contraste com a breve finitude da vida humana. É imprescindível acreditar na fluidez da mente, no estado incorpóreo do espírito, capaz de projetar-se nas mais longínquas e inacessíveis dimensões, de modo a sentir. A razão não é capaz de proporcionar o que procuro. Em meio a tantas conjecturas, sentir é o único caminho para se encontrar a resignação na ignorância. Talvez sentir seja o único sentido de tudo. Talvez sentir seja a faísca responsável por afastar de nós a insanidade, simplesmente para que nós sejamos, no mais completo sentido.